Hoje o Rugby Fora do Eixo vai se posicionar. Fascismo ou Comunismo?

Avaliação de forma apaixonada pelo esporte que nos fomenta, nos divide. Politica de Estado e não de Governo.

O rugby não precisa escolher entre fascismo e comunismo. Precisa escolher se continua sendo um esporte ou vira cartaz de clube.

Quando clubes publicam, em nome da instituição, contra o racismo, contra o fascismo e a favor de pautas LGBTQI+, parte do gesto é compreensível. O rugby se vende como esporte de respeito, contato e inclusão de quem entra em campo. Rejeitar injúria racial ou violência ideológica não é, em si, partidário.

Muitos atletas e dirigentes sentem que calar diante de ameaças reais é covardia, e que o clube tem voz pública porque representa pessoas.

O problema começa quando a opinião deixa de ser individual e vira posicionamento corporativo.

Clube não é partido. Quem assina a postagem fala por sócios que não foram consultados, por atletas que discordam e por uma instituição cujo estatuto, em geral, trata de bola, scrum e fair play, não de alinhamento ideológico.

Opinião política é pessoal. Transformá-la em comunicado oficial desagrega o que o rugby mais precisa manter unido: o vestiário.

Os dois extremos já usaram o esporte exatamente para isso. Em 1936, o regime nazista transformou os Jogos de Berlim em vitrine da “força ariana”. A propaganda foi eficiente até o desempenho em campo desmentir parte do roteiro; o custo, depois, caiu sobre o povo alemão.

A URSS e o bloco oriental repetiram o método no pós-guerra: medalhas como prova de superioridade do sistema. Houve doping estatal, manipulação hormonal e, no caso romeno, práticas que atrasavam o crescimento de ginastas para mantê-las competitivas.

Atletas que falhavam ou desertavam pagavam caro. Cuba usou o esporte como via de privilégio e controle.

Ditaduras africanas e o aparato chinês puniram ou sumiram com perdedores. Os Estados Unidos, sem o mesmo modelo de doping de Estado, também instrumentalizaram Jogos Olimpicos e boicotes como extensão da Guerra Fria e, por décadas, resistiram a expor certas fragilidades no paraolimpico

O padrão é o mesmo nos dois lados: o atleta vira instrumento, o resultado vira propaganda, e quem perde fora de campo é quem não tinha escolha.

No clube em que jogo há preto e branco, pobre e rico, “gay” e hétero, direita e esquerda que mal se toleram na conversa e se respeitam no treino.

Isso não é ingenuidade. É o mínimo que o esporte exige para funcionar.

A mistura forçada de escolas masculinas e femininas, na década de 70, do século passado de origens e religiões diferentes, não eliminou o conflito; ensinou convivência sob regra comum.

A sociedade que separa tudo em campos inimigos perde exatamente essa lição.

Posicionar o rugby “contra o fascismo” ou “contra o comunismo” como se o clube tivesse de escolher um dos dois é repetir o erro histórico: entregar o jogo a quem quer usá-lo.

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