O que diria Nelson Rodrigues sobre o RUGBY e o CERET?

Certamente você nem saberia do que ele estava escrevendo.

Primeiro levaram os que jogavam limpo. Eu não jogava limpo.

Encolhi os ombros no vestiário do CERET e fingi que o rugby era só contato.

Depois levaram os que ainda acreditavam no passe. Eu já não acreditava.

O passe, no CERET, é uma ingenuidade de quem não aprendeu a sobreviver ao tackle. Fiquei calado.

Em seguida levaram os que reclamavam da arbitragem. Eu não reclamava.

Reclamar, ali, é vaidade de derrotado.

Assisti de braços cruzados enquanto o apito engolia mais um.

Levaram os que treinavam de manhã. Eu treinava de noite, quando ninguém vê a falta de coragem.

A manhã, pensei, é para os que ainda têm ilusão.

Levaram os reservas que pediam minuto. Eu era titular. O reserva, no rugby do CERET, é um fantasma educado. Não lhe devia nada.

Levaram os que falavam em fair play. Eu achava fair play coisa de quem nunca levou joelho no peito. Sorri por dentro.

Quando levaram o último que ainda gritava “bola!”, olhei para o campo. O gramado estava vazio.

O poste, mudo. Não havia mais ninguém para me marcar, me derrubar ou me absolver.

Aí levaram a mim. E não sobrou, no CERET, uma única alma disposta a dizer que eu também tinha sido do jogo de Rugby.

 

Um país sem cultura esportiva dá nisso, não tem caráter, nem respeito e nem nada, apenas interesses individuais.

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