Um jornalista com paixão pelo rugby que nunca acabou apesar da distância
Luiz Carlos Ramos, o jornalista que mais divulgou o rugby pelo Brasil no século XX
Como jornalista que se apaixonou pelo rugby e que, por um bom tempo, acompanhou esse esporte de uma autêntica filosofia de vida, quero hoje me confraternizar com esse grupo responsável por manter o rugby brasileiro em constante evolução, agora com um site próprio. Agradeço ao Márcio Duailibi pelo convite para escrever esta breve saudação e desejo boa sorte a todos os que praticam rugby e que venham a curtir o site.
Informação de alto nível é fundamental para qualquer setor de atividade: político, administrativo, econômico, social, empresarial e, claro, também esportivo.
Os que difundem o rugby por meio de textos e fotos são idealistas imprescindíveis para esse grande esporte, que, no Brasil, luta para ampliar seu alcance.
Rendo aqui minha homenagem ao saudoso William Leon Rheims (Bill), que introduziu ao mundo do rugby há pouco mais de 40 anos, quando eu chefiava a seção de Esportes do jornal "Estadão".
Bill me convenceu a ver jogos de rugby em São Paulo, me explicou as regras e me convidou a acompanhar a delegação do Brasil que disputou o Sul-Americano de 1981, no Uruguai.
Em Montevidéu, foi ótimo cobrir a saga daqueles jovens, tendo Bill na chefia e George Thomopoulos como técnico. O Brasil perdeu de todos os adversários, mas me impressionou. E, após a derrota para o Uruguai, consegui entrevistar três uruguaios sobreviventes da Tragédia dos Andes, de 1972.
No meu livro "Vida de Jornalista", em que relato meus 60 anos de atividades na imprensa (não só de esportes), 27 como professor e 25 como escritor, o rugby está presente em dois capítulos: o do Uruguai e o da minha ida, em 1983, ao Congresso Internacional de Jornalistas de Rugby, em sete cidades da África do Sul. Vi jogos dos Springboks e dialoguei com jornalistas de 20 países.
Meu novo livro será lançado e. 25 de setembro, na Pizzaria Margherita.
As duas experiências internacionais contribuíram para que eu logo ampliasse o espaço do rugby no "Estadão" e aceitasse ser diretor, por algum tempo, do time de rugby do São Paulo Futebol Clube, época em que até fizemos jogo preliminar do futebol diante de um público de 30 mil pessoas, no Estádio do Morumbi. Houve transmissão integral da TV Band. Narração do saudoso Osmar de Oliveira. Fui o comentarista.
Nas três últimas décadas, minha carreira derivou para outros assuntos, longe do esporte, mas é muito bom saber, pelo Márcio, que o rugby brasileiro conta não só com equipes tradicionais, como Pasteur, SPAC e Medicina. Há também times de novas cidades e foi aberto o campo para equipes femininas.
À distância, desejo todo o sucesso a vocês. Que o autêntico espírito do rugby fique em primeiro lugar, apoiado pelo bom jornalismo (profissional ou amador), que ainda existe.
Luiz Carlos Ramos, setembro de 2023.