Rugby Fora do Eixo
Texto de alerta - Hora de acordar.
O Brasil está prestes a entregar de bandeja o posto de maior potência do rugby feminino sul-americano para a Argentina. E não é exagero: é realidade batendo na porta.
Há poucos anos, nossas seleções de Sevens e XV dominavam o continente sem grande esforço. A Argentina era coadjuvante, lutava para acompanhar o ritmo. Hoje o cenário se inverteu. As Hermanas evoluíram em velocidade impressionante. Seus times de Sevens são mais rápidos, organizados e competitivos. No XV, a consistência cresceu de forma visível. Elas não estão apenas melhorando: estão nos ultrapassando.
Em Buenos Aires, os clubes já reúnem mais de 1.000 meninas em todas as categorias. O trabalho de base é sério, a técnica é lapidada desde cedo, o treinamento é profissional e contínuo.
Resultado?
Uma pirâmide sólida que alimenta as seleções com talento real e preparado.
No Brasil, o que vemos?
O oposto. Enquanto nossas entidades e alguns vendem fumaça, enchem a boca de promessas e resultados maquiados, a base definha.
Os clubes que deveriam ser o coração do esporte são relegados a segundo plano. Velhas práticas que um dia deram certo hoje estão obsoletas, mas insistem em mantê-las.
Priorizam-se seleções e projetos de vitrine em vez de investir no que realmente constrói futuro: os clubes de todas as regiões do país.
Exemplo recente não deixa mentir: a Melina foi jogar em La Plata, disputou a final em La Plata neste final de semana. Há um ano, o título veio com facilidade. Neste ano, precisou suar na prorrogação e decidir no Golden Try. Mesmo assim, venceu. Isso mostra evolução: pressão maior, nível mais alto, competitividade feroz. O que era caminhada virou batalha.
E a tendência é só piorar. Chega de vendedores de “fumaça”.
Chega de arrotar discurso enquanto o rugby feminino brasileiro definha e não só o feminino. A hora é dos clubes.
De Norte a Sul, de Leste a Oeste. É preciso fomentar a base, profissionalizar os treinamentos, investir em estrutura local e jogar fora as velhas muletas que já não sustentam mais nada.
Se não mudarmos com urgência, vamos perder o que conquistamos com tanto esforço. A Argentina não vai esperar. Elas estão trabalhando de verdade. O Brasil ainda pode reagir, mas o tempo está se esgotando.
Ou acordamos agora ou vamos assistir, sentados, a bandeira albiceleste subir no lugar da nossa.
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