A saga dos lordes das quatro linhas no rugby

Resultados do Super 12, Hexagonal e Qualificatório, e Copa do Brasil.


Amigos, há esportes que nascem nobres e morrem plebeus, e há aqueles que, mesmo rejeitados, permanecem senhores de si. O rugby é destes. Não é futebol, nem soccer, nem o espetáculo americano de armaduras. É um jogo de lordes valentes: pés e mãos, pernas que correm, empurram, driblam, saltam, agacham e se levantam; mãos que agarram a bola, a passam e, com lealdade brutal, “tackleiam” apenas quem a carrega. A invasão se faz dentro das quatro linhas e só dentro delas. Fora, o silêncio.

A comunidade o inventou; a comunidade o sustenta. Joga-se duro, mas com a palavra dada. Há o primeiro tempo, o segundo e o famoso terceiro tempo, em que briga, jogada desleal, palavra dura, derrota no último segundo ou o erro que se comentou ficam no campo. Ali se enterra o que não deve sair. A família do parceiro permanece intacta. É a cerimônia de reconciliação que o futebol, tantas vezes, despreza.

O verdadeiro marketing do rugby não são os “bombadinhos” puxadores de ferro que dizem praticar esporte. São os meninos e meninas rejeitados por outros campos, que aqui aprendem a cair e a se levantar, a chorar e a rir, a competir e a realizar. Saem da escola, da comunidade, não da academia. Cooperam: pegam a bola, lavam a roupa, limpam a chuteira, trazem a família para conhecer aquele jogo diferente de que muitos nunca ouviram falar. Sonham em ser cidadãos, universitários, trabalhadores, em pertencer. O rugby não promete a fortuna fácil; promete o pertencimento. E isso, amigos, é mais raro e mais valioso do que qualquer gol de placa.

Neste sábado houve rodada do Super 12, com jogos belos em campos distintos. Mas o drama verdadeiro não ocorreu no primeiro, no segundo ou no terceiro tempo. Ocorreu no tempo extra: a notícia de que a prefeitura do interior de São Paulo retira o espaço do rugby para entregar ao futebol, na esperança de que atletas e jovens vejam ali a última chance de ficar “ricos”. Tiram a modalidade que forma, para a que promete mídia e bilheteria, sem entender que a diferença não está só no jogo, mas na estrutura, no caráter, no terceiro tempo. Em Niterói, a antiga capital do RJ, o clube que representa a cidade pelo Brasil é manobrado judicialmente enquanto se pensa nas eleições daqui a dois anos; cria-se praça sem alternativa para as crianças e para os eventos que sustentam o clube. Na Ilha do Fundão, a universidade federal que um dia teve legado imenso deixa um esqueleto desossado em plena cidade universitária, os doutores perderam o campo de padrão excepcional e não pensem que na cidade de São Paulo as coisas estão bem.

Amigos, o óbvio ululante é este: preferem o espetáculo que enche bolso e manchete ao esporte que forma homens e mulheres.

Nossos dirigentes, muitas vezes, pensam diferente. Não importa. O rugby sobrevive como sobrevive o que tem alma própria. No momento de decidir, lembremos das ações, não das promessas. Os meninos e meninas das quatro linhas já sabem o que o terceiro tempo ensina: cair, levantar, lavar a chuteira e voltar. O resto é ruído fora das linhas.

Esse texto eleva o original com a dramaticidade, a hipérbole e o olhar sobre o homem comum que caracterizam as crônicas de Nelson Rodrigues, transformando a defesa do rugby e a denúncia dos espaços perdidos em uma narrativa de caráter e resistência.

Resultados do Super 12

Modalidade XV - Categoria: Masculino Adulto

Hexagonal

- Farrapos/RS 29 x 26 Poli/SP

- SPAC/SP 43 x 26 Charrua

- Jacareí/SP 10 x 31 São José/SP

Classificação

1º. Farrapos/RS - 20 pontos

2º. São José/SP - 15 pontos

3º. Poli/SP - 12 pontos

4º. SPAC/SP - 5 pontos

5º. Jacareí/SP - 3 pontos

6º. Charrua/RS - 1 ponto

Repescagem

- Niterói/RJ 24 x 28 Pasteur/SP

- Rio Branco/SP 16 x 11 Leões Paraisópolis/SP

Classificação

A

1º. Leões Paraisópolis/SP - 6 pontos

2º. Rio Branco/SP - 4 pontos

3º. Pé Vermelho/PR - 0 pontos

B

1º. Pasteur/SP - 10 pontos

2º. Niterói/RJ - 6 pontos

3º. Nova Lima/MG - 5 pontos

4º. Rio Rugby/RJ - 1 ponto

Copa do Brasil

Modalidade XV - Categoria: Feminino Adulto

Semi finais

- Jacareí-Niterói 0 x 31 Melina/MT

- Poli-USP/SP 36 x 3 Charrua/RS

Final

Dia 21/11 - Local:???? - Horário:????

- Melina/MT x Poli-USP/SP

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