Editorial da Semana: É hora de mudar esse pseudo-profissionalismo no rugby no Brasil.
Estamos no ano de 2026 e ainda patinamos em atitudes do século XX.
Na reta final de 2026, o rugby brasileiro continua cometendo erros que já deveriam ter ficado para trás em 1980. Naquela época, o esporte ainda era um embrião da tradição britânica. Cresceu em números, mas o desenvolvimento real ficou aquém.
Em 2012 vieram novas esperanças, modelos foram copiados e abriu-se a possibilidade de construir uma identidade própria. Bons profissionais passaram. Alguns se foram. Outros, mesmo depois de anos no cargo, ninguém sentiu falta.
Cultura e modelo não se constroem por imposição. Constroem-se por regularidade. Mesmo com eventos espalhados pelo país, líderes, treinadores e demais profissionais muitas vezes não tratam o rugby como ferramenta esportiva consistente. Houve quem pudesse transformar o jogo em negócio e não soube dimensionar. O rugby escolar, sem modelo pedagógico claro, em vez de agregar, desagregava ano após ano.
Boas iniciativas escorriam pelas mãos.
Sobram “inteligentinhos”, velhos de carteirinha e outras personalidades que sempre souberam mais do que os demais, sem esquecer a turma da pipoca. Muita gente bate no peito falando de valores e esquece o propósito. Outros usam o esporte como trampolim.
Ficamos na bolha, com o olho em modelos de fora, enquanto outros esportes não só cresceram como se profissionalizaram e criaram produto.
Aí vem o discurso de sempre: “o rugby é amador, é diversão, não encha o saco”. O mundo mudou e para melhor.
Nós perdemos o trem.
Para algo sério acontecer é preciso estruturar um plano de 25 a 30 anos, com semiprofissionalismo de verdade.
Com a engrenagem atual, enferrujada, isso não será possível. É preciso trocar equipamentos para a máquina funcionar.
Pensar em 2050. Esquecer o resto.
Falta quase tudo.
A responsabilidade recai sobre a engrenagem obsoleta que adora exibir virtudes e raramente se olha no espelho. Não construiu nada sustentável.
Chega de pseudo-profissionalismo. Ou o rugby brasileiro decide crescer de fato, ou continuará patinando no mesmo lugar, agora já no século XXI.