Editorial - Campeonato Brasileiro de Rugby Sevens - Masculino e Feminino.

A Entidade Nacional não consegue construir um produto de rugby sevens.


No final de semana, 6 e 7 de dezembro, o Campeonato Brasileiro de Rugby Sevens será realizado em São Roque, cidade do interior de São Paulo, conhecida por sua tradição e, curiosamente, por ser a pioneira na inclusão do Halloween no calendário municipal. Embora o evento tenha acontecido em uma cidade que poderia oferecer um atrativo turístico interessante, a falta de planejamento e visão estratégica para o desenvolvimento do rugby brasileiro ficou patente.

A questão que o Rugby Fora do Eixo levanta é clara: a entidade nacional falha em criar um produto consistente e atrativo. A entidade parece não entender que, ao organizar um evento dessa magnitude, é necessário ir além dos jogos disputados em campo. Um bom torneio não é só sobre a competição; é sobre gerar uma experiência completa para atletas, clubes, fãs e a cidade sede. Isso inclui, necessariamente, aspectos como infraestrutura de transporte (aeroportos, rodoviárias), acessibilidade, atração de turistas e a criação de um ambiente econômico positivo para a cidade. Quando um evento é bem planejado, ele gera um "ganha-ganha" para todos os envolvidos: entidades, clubes, atletas e a população local, que interage com a gastronomia, pequenos negócios, hotéis e restaurantes.

No entanto, o que vimos nesse campeonato foi uma completa falta de preparo. A tabela de jogos foi alterada na véspera do evento devido à má gestão de um clube, o que gerou confusão e frustração entre os participantes. Além disso, a premiação foi, no mínimo, simbólica: uma Bolsa Atleta do programa federal, um prêmio que é mais um paliativo do que um incentivo real. Com tanto potencial no rugby brasileiro e a presença de patrocinadores, transmissão e cobertura de mídia, os clubes mereciam mais. Uma taça é importante, mas uma premiação robusta e que realmente valorize o esforço dos atletas e clubes, grandes ou pequenos, deveria ser uma prioridade.

Além disso, é alarmante ver que os próprios documentos de marketing falam em "grupo da bolsa" e "grupo de acesso", como se isso fosse uma categoria de prestígio. Isso demonstra o descompasso entre o discurso institucional e as ações de campo. O marketing esportivo no rugby no Brasil precisa ser repensado, pois está claro que ainda estamos tratando o esporte com amadorismo, sem uma visão de longo prazo ou a intenção de construir uma marca forte e sólida.

Esses torneios precisam ser discutidos mais amplamente com todos os envolvidos: entidades nacionais e regionais, clubes, gestores, patrocinadores e as cidades-sede. O rugby brasileiro precisa urgentemente de uma visão mais estratégica e profissional para se consolidar como um esporte de referência.

A mudança é necessária e já deveria ter acontecido há muito tempo.

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Em 19/07/2026 às 10h55 - Atualizado em 19/07/2026 às 10h56