Rugby Fora do Eixo
Ah, Brasil, pátria de contrastes cruéis e de dores que o povo carrega como um estigma no peito!
Enquanto a Seleção, essa divindade de pés de barro, tombava no gramado dos EUA sob o peso de um destino amargo, sem hexa, sem glória, apenas o eco de um sonho desfeito, o rugby, esse esporte de homens e mulheres que se entrechocam como bois bravos no pasto, seguia seu martírio silencioso, invisível aos olhos da multidão.
Olhem só, meus caros, o que os olhos não veem: no Super 12, os gaúchos do Farrapos, com suas camisas listradas de sangue e lama, devoravam o Charrua como se o próprio Rio Grande se erguesse contra o irmão.
Em Santa Catarina, o Joaca curvava-se diante do Desterro, numa guerra de trincheiras onde cada tackle era um soco no orgulho.
Em São Paulo, a Poli dobrava o São José, o Tornados Indaiatuba mordia o Rio Branco, o SPAC caía ante o Jacareí e o Pasteur, esse titã paulista, esmagava o Nova Lima como quem esmaga uma ilusão.
No Fluminense, o Carioca sangrava diante do Rio Rugby, e nas mulheres do Paulista, as meninas do Tornados/Garra/Cougars faziam da Querocanas um campo de extermínio, enquanto URA e SPAC trocavam socos numa briga de foice e faca.
Eis a ironia rodrigueana, ó pátria: o futebol, com seus milhões, seus estádios lotados, suas promessas de glória eterna, entrega-se ao pranto coletivo, ao vexame nacional. Mas o rugby, esporte de poucos, de corpos que se quebram sem holofotes, de suor que não vira propaganda, segue vivo, brutal, autêntico.
Nele não há Neymar para chorar, nem Ancelotti para explicar. Há apenas o choque de carnes, a dor pura, a vitória que cheira a grama rasgada e a derrota que sabe a sangue na boca.
O Brasil que chora o hexa perdido é o mesmo que ignora esses guerreiros anônimos. Porque o que os olhos não veem, o coração brasileiro não sente: a verdadeira paixão não precisa de multidão. Ela se basta no tackle, no ruck, no try que ninguém aplaude. E assim, enquanto a nação se lamenta no futebol, o rugby nos lembra que a grandeza, muitas vezes, nasce do obscuro, do dolorido, do que nunca será capa de revista.
Tragédia? Comédia? Não. Apenas Brasil. Sempre o mesmo, sempre ferido, sempre seguindo em frente.
Resultados
Super 12 - Campeonato Brasileiro de Rugby
Categoria: Masculino XV
- Farrapos/RS 55 x 22 Charrua/RS
- Joaca /SC 10 x 24 Desterro/SC
- Poli/SP 29 x 19 São José/SP
- Tornados Indaiatuba/SP 20 x 13 Rio Branco/SP
- SPAC/SP 10 x 22 Jacareí/SP
- Pasteur/SP 60 x 17 Nova Lima/MG
Campeonato Fluminense
Categoria: Masculino XV
- Niteroi 24 x 0 Itaguai
- Carioca 10 x 32 Rio Rugby
Campeonato Paulista
Categoria: Feminino XV
2ª divisão (B)
- Tornados/Garra/Cougars 122 x 0 Querocanas
* (Querocanas - União + Rio Branco)
- URA 31 x 27 SPAC
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