Rugby Fora do Eixo
Texto por Mário Gandini
A final da Copa do Mundo Feminina de Rugby XV terminou com a Inglaterra erguendo o título ao vencer o Canadá por 33 a 13, em Twickenham, diante de 81.885 torcedores , público recorde para um jogo de rugby feminino.
O triunfo inglês foi construído sobre um trabalho sistemático das forwards, que “abriram as trincheiras” vencendo scrums, mauls e as disputas de contato, para que as jogadoras da linha pudessem explorar o jogo mais aberto.
Essa combinação entre força e velocidade foi uma das marcas da campanha inglesa durante o campeonato: o pack garantia território e posse, enquanto os backs aceleravam e pontuavam.
Na grande final, porém, as protagonistas foram mesmo as forwards. Elas travaram a batalha nas trincheiras e assinaram a maioria dos tries da partida, mostrando como o jogo se decide muito antes das corridas em campo aberto. Foi a defesa agressiva, alinhada ao domínio físico, que abriu caminho para o título, provando mais uma vez o velho ditado de que campeonatos se ganham na defesa.
Na decisão, o Canadá chegou a abrir o placar com um try de Asia Hogan-Rochester, mas a Inglaterra reagiu de imediato com Ellie Kildunne tirano um coelho da cartola que deixou todos de queixo caído, em seguida Amy Cokayne e Alex Matthews consolidaram os mauls e scrums marcando mais 2 trys, indo para o intervalo em vantagem de 21 a 8.
No segundo tempo, apesar de nova investida canadense com Hogan-Rochester, as inglesas mantiveram o controle no contato e fecharam a vitória com mais um try de Matthews.
O Canadá, que vinha apresentando atuações dominantes durante o torneio, encontrou dificuldades para impor seu ritmo na final e mais uma vez vimos que a falta de efetividade dentro da redzone inglesa custa caro.
Ainda assim, a campanha foi coroada com o prêmio de Jogadora do Ano para Sophie de Goede, da segunda linha, símbolo da consistência canadense que vem de uma lesão muito séria (LCA)logo depois de ser convocada para Paris 2024. Sophie deu aulas de resiliência.
Na Inglaterra, o técnico John Mitchell foi eleito Coach of the Year pela World Rugby, reconhecido por guiar a equipe com clareza estratégica e eficácia.
Já a jovem Braxton Sorensen-McGee de 18 anos foi premiada como Breakthrough Player of the Year, a jogadora das black ferns foi a revelação do torneio, após uma campanha explosiva, marcada por tries decisivos e muita velocidade.
Antes da final, outro jogo empolgou o público: a disputa pelo terceiro lugar entre Nova Zelândia e França, vencida pelas Black Ferns por 42 a 26. Foi uma partida rápida e vistosa, marcada pelo retorno de Jorja Miller, que trouxe energia ao pack neozelandês, e da francesa Joanna Grisez, presença fundamental no try de abertura da sua equipe. Apesar da boa resposta da França, a Nova Zelândia conseguiu impor intensidade e conquistou a medalha de bronze, com dois tries da jovem Sorensen-McGee e atuação sólida de Sylvia Brunt, Ruahei Demant e Renee Holmes
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